12 de agosto de 2012

Histórias da Lua-cheia

           Que mistérios existem em noite tão clara de lua cheia?
Por que a escuridão do medo perpassa justamente as noites mais claras do ano, quando reina soberana a lua na sua plena maturidade?
         Sob sua guarda estão as histórias mais aterrorizantes e debaixo de seus olhares as figuras mais esquisitas, assombradas e deslumbrantes que se possa imaginar.
         A Lua-cheia é uma ótima contadora de histórias, uma brilhante inspiradora de histórias, e a ela estão associados os monstrengos e os entes mais fantásticos da cultura brasileira.
Sem sombra de dúvida, não há ninguém melhor que a Lua-cheia da Terra para contar a outras “luas”, o que viu e ouviu, principalmente nas sextas-feiras 13, nos meses de agosto, nas noites mais transluzentes, nas matas, nas clareiras, em todo o Brasil.
         É a nossa lua quem pode traduzir a visão amedrontada dos povos indígenas, a ingênua simplicidade dos sertanejos, o estranhamento, dúvidas e pavores dos famosos visitantes, através da arte de contar histórias, quando o público é formado por suas vizinhas curiosas e semelhantes que também giram no espaço em torno de outros planetas.
         A Lua-cheia da Terra, diante de tantas riquezas culturais, vampiros da Alemanha e Romênia, bruxas e fantasmas dos países da América do Norte, múmias do Oriente Médio e deuses da Grécia e Roma antigas, encantar-se-á justamente com o Saci-pererê, Curupira, Caipora, Homem-do-saco, Bicho-papão e outros seres de um país criança chamado Brasil.
         Antes que nossas lendas sejam esquecidas, antes que nossos mitos deixem de aparecer nos livros, nas revistas e não haja mais qualquer material sobre eles, a maior contadora de histórias do universo vem preservar este tesouro maravilhoso escondido em terras brasileiras, em matas brasileiras.
        Antes que o negrinho de uma perna só deixe de aprontar suas traquinagens, que a sereia Iara pare de encantar os homens com seu canto mágico, que o Homem-do-saco desista de pegar criancinhas desobedientes para fazer mingau, que o Bicho-papão se canse de assustar crianças no escuro porque não querem dormir, que o Curupira desista de enganar os caçadores com seus rastros invertidos, antes que o Lobisomem perca a vontade de uivar amorosamente para a lua cheia em suas noites; apareça esta mesma lua, poderosa e sábia, a contar às crianças e aos jovens as suas mais arrepiantes e interessantes histórias.
         Viva a Mitologia Brasileira!




© Carlos José dos Santos - Todos os Direitos Reservados



       

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