13 de agosto de 2012

Não, não é a novela das nove

Estou começando a me sentir um rato encalacrado no lixo ou um porco tentando se desatolar de um poço de lama.


Você vai pensar que estou sendo muito duro no início desta prosa. Alguns vão pensar que estou fazendo poesia com metáforas chocantes para fisgar a sensibilidade do leitor.


Não. Nem uma coisa, nem outra. Explico.


Moro num bairro de ótima qualidade de ar. As árvores daqui dão um tom de ruralidade e reproduz os ares do campo, na sua quase totalidade.


Pois bem, até aqui, nada que justifique o rato, o porco, o lixo e a lama do início do texto.


Tenha calma! Eu vou chegar lá.


Exaltei a principal qualidade da vila onde eu moro e vou ressaltar também a comunidade pacata e a vidinha bucólica que se tem pelas bandas de cá.


Você vai dizer que está diante da descrição de um bairro perfeito, e correr para ver se encontra uma casa à venda.


Não se afobe tanto! Antes, leia a segunda parte do texto, pois apesar de pontuais, há sim, coisas que preocupam alguém como eu que, tem por princípio morar num ambiente civilizado.


Com a crescente moda dos carros de exibição, a juventude recém-habilitada - ou mesmo a não habilitada -  tem promovido verdadeiras competições de poder ao equipar seus carros (quando não o dos pais) e o utilizarem  além do limite dos decibéis aceitáveis para uma boa convivência humana. Mais grave que isso é a galerinha do contra, que faz da noite dias de festa e sai como uma louca, descarregando sua energia, sem se importar com quem teve um dia exaustivo, e a única coisa que quer é ter o direito de pôr a cabeça no travesseiro e dormir candidamente.

Ser interrompido dos ótimos sonhos por uma orquestra de ruído que faz tremer até as vidraças não é uma experiência das mais agradáveis. Mas mais grave que isso é descobrir depois, que quem desfila pelas ruas do bairro pacato, com sua sinfonia de extremo mal gosto, é gente de bairros vizinhos.


Quanto às drogas, elas estão em toda parte, não seria diferente por aqui, afinal não vivemos no planeta Marte. Se bem que eu não sei se por lá também, não há coisas similares.


Esse é um aspecto negativo a se considerar. Praticamos a política da boa vizinhança, pois sabemos que da existência das drogas derivam-se situações desagradabilíssimas a quem pretende ter sossego e educar seus filhos com harmonia.


Mas o incômodo da vez deriva-se da falta de educação de um povo, que como cães e gatos não sujam a porta da sua casa, mas a porta da casa dos outros.


Nas últimas semanas choveu-nos informações sobre a Rio+20, o retorno das sacolinhas, o dia Mundial do Meio Ambiente, mas o problema da interferência bruta no meio está diretamente ligada a questão da educação e cultura do nosso povo.


Vida pacata não necessariamente deve ser praticar a filosofia do “tô nem aí”.


O que observo é que os costumes de uma parcela da sociedade não mudam com as palavras de incentivo que os meios de comunicação têm tentado fixar.


É balela pensar que os meios atingem toda nossa população. E tem mais. Tem gente que está pouco se lixando para as propagandas do governo. Está mais interessada em saber o que vai acontecer na novela das nove.


É nesse ponto que quero ficar.

Em falando da famigerada novela das nove, vou me atentar à questão do lixo, na sequência. Não vou me ater aqui à questão da injustiça social que assola este mundo, onde pessoas para sobreviverem precisam mergulhar e quase residir no meio do lixo. Este é assunto para uma outra prosa.


O que lamento agora é ver as proximidades da minha casa, um terreno baldio, começar a virar um lixão por pura falta de educação e respeito.


Ora! As pessoas precisam entender que nem todo mundo gosta de morar no meio da sujeira! Ao contrário, existem pessoas que, com consciência, sempre procuram zelar pela melhoria da qualidade de vida da comunidade em que vivem.


Não vou brigar com quem suja meu bairro, antes vou tentar orientar, buscar ajuda junto aos órgãos competentes e pedir a você que encampe essa luta. A de que se mudem os costumes das pessoas para colocarem o lixo certo na data certa e de preferência, separando-se os orgânicos dos recicláveis, pois existe um sistema de coleta que tem funcionado bem por aqui.


Bem que eu gostaria de poder mudar certas atitudes de pessoas lixeiras com um clique de uma varinha de condão, mas o que eu vivo não é uma ficção.


Discorrer sobre esse assunto e encontrar uma solução junto a você é o que eu mais gostaria de realizar neste momento, mas peço licença para interromper esta prosa. Preciso urgentemente perseguir um rato que acabou de passar embaixo da minha mesa e já deve estar disputando com uma barata quem alcança primeiro a despensa.



© Carlos José dos Santos – Todos os Direitos Reservados


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